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Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.
Imagem de Globalização e Cultura local – José Gabriel Ávila
Comunidades 31 ago, 2015, 23:20

Globalização e Cultura local – José Gabriel Ávila

Globalização e Cultura local

Sempre que encontro um turista estrangeiro, interrogo-me sobre o que o terá motivado a optar pelo destino Açores, arquipélago escondido dentro da amplidão do Atlântico, entre os dois mundos desenvolvidos: a Europa e a América do Norte. Serão as suas singulares belezas naturais, ou o exotismo das suas gentes?
Uma e outra completam-se e definem os Açores e as suas gentes, como escreveu o poeta Emanuel Felix: Somos herdeiros da maresia/ Que salga os olhos de olhar o mar/ E temos rios de lava fria/ Que se recusam a desaguar.
Esta complexidade nascida do mar e da terra, cujo ventre, de tempos a tempos, atormenta e sangra vidas, forjou em nós uma idiossincrasia que acompanhou milhares e milhares de açorianos que na emigração afirmaram o seu querer e poder. Participaram no fenómeno da aculturação inculcando em terras distantes a açorianidade que a globalização, segundo alguns, desde sempre, instaurou.
Embora este fenómeno, por motivações económicas, financeiras, sociais, culturais e até religiosas domine todas as civilizações, importa que dele tiremos partido, fazendo valer a força e singularidade das nossas vivências culturais. Para isso é urgente que não abdiquemos delas, em benefício de outras que nos entram pela porta dentro através dos media, sem que possamos barrar os seus efeitos junto dos mais novos.
Importa que não se desfaleça no ensino das tradições culturais e musicais, passando o testemunho às crianças e aos jovens do que “está no sangue” de pais e avós, para que não se perca ainda mais no esquecimento, o saber de experiências feito e a enorme riqueza da filosofia e da sabedoria populares, dos falares, do folclore, das tradições religiosas, da arquitetura tradicional, da culinária, etc.
A globalização não pode absorver a “alma” das nossas gentes pelo que incumbe aos responsáveis afirmar, sem preconceitos e temores, o que nos distingue, enfrentando com as mesmas armas, produtos e modas mais poderosos que se infiltram na nossa cultura e no nosso viver. Não pretendo desvalorizar a abertura ao mundo, o universalismo, nem os valores da contemporaneidade.
Todavia há que fazer um esforço concertado, utilizando os meios de comunicação social, para dar a conhecer o que temos e somos, e continuarmos a ser um destino exótico, atraente, sobretudo para quantos se manifestam cansados da igualização dos modos de viver e dos produtos da sociedade de consumo.
Nas comunidades aparentemente mais fechadas ou menos expostas e permeáveis aos acessos do exterior, surgem ações que dinamizam e preservam usos e costumes tradicionais.

Nesta ilha do Pico, onde se bailou a maior Chamarrita do Mundo para figurar nos eventos singulares do Guinees Book, há quem se disponha, semanalmente, a ensinar a bailar o mais característico baile de roda picoense. Nos salões da Manhenha e do Cais do Galego, Piedade, os mais velhos bailam, como antigamente nas folgas e nas matanças do porco, e transmitem esse saber e entusiasmo aos mais novos. Alguns dos aprendizes são luso-americanos ou canadianos e sentem-se honrados com a cultura dos seus avós. Os exemplos são muitos, pelo que, no Pico, a Chamarrita popularizou-se de tal modo que não há festa que não a inclua na sua programação, juntamente com as bebidas e manjares da culinária tradicional e os cortejos etnográficos.
É uma forma de resistir à globalização desenfreada que, inapelavelmente, arrasa o regionalismo e o nacionalismo e abala a cultura local. E sem esta deixaremos de ser o destino exótico por que somos tão procurados.

José Gabriel Ávila

jornalista c.p. 536

Imagens de http://musicatradicional.no.sapo.pt/acores.html

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