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« 99º Aniversário de Willy Zumblick e 177º anos da Rev.Farroupilha» **
    Lélia Pereira S.Nunes

« 99º Aniversário de Willy Zumblick e 177º anos da Rev.Farroupilha» ** Lélia Pereira S.Nunes

" <i>Um apreciador comum sabe que ele é homem sem preocupações reformistas,que ele estabeleceu a seu jeito e com seu jeito vai povoando o mundo das criaturas que cintilam.<br />Um estudioso sério olha, com interesse, as raízes populares desse universo,a persistência de elementos culturais dos quais o pintor,por algumas décadas,é intérprete."</i> <br />                     Flávio José Cardozo,escritor<br />           <img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/6e/6e2464a07e68a7a4529161a10d5fc625&w=420&sx=0&sy=0&sw=233&sh=314&q=75" /><br />A Data de 26 de Setembro, marcou o 99º Aniversário do pintor tubaronense Willy Alfredo Zumblick que partiu numa noite de Abril em 2008.<br />Reproduzo um "recorte" da crônica publicada no Açoriano Oriental (Ponta Delgada) e no Diário Catarinense (Florianópolis) para homenagear  o grande pintor catarinense e manifestar a minha grande saudade do pintor e do grande amigo que me concedeu o privilégio de conhecer o seu universo e publicar a sua biografia em "Um História de vida e de Arte" (Brasília,Senado Federal,1993)<br /><br />

A abertura da Primavera coincide com o aniversário de 177 anos da eclosão da Guerra dos Farrapos,data importante para a historiografia brasileira e, muito especialmente, para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A insurreição tramada por Bento Gonçalves e outros líderes liberais e maçônicos, no casarão de uma estância de Pedras Brancas (hoje,município de Guaíba) espalha-se como um rastilho de pólvora por toda a província e chega à Santa Catarina.
Uma revolução liberal que lutava por mais autonomia e combatia os altos impostos cobrados no comércio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul do século XIX. No entanto, passo a passo, ante os reveses e as contigências, o movimento revolucionário levanta a bandeira separatista culminando com a proclamação da República Riograndense (ou Piratini) a 11 de setembro de 1836 e a República Catarinense (ou Juliana) na histórica cidade de Laguna a 24 de julho de 1839, ameaçando a integridade do Império brasileiro. A assinatura do tratado de paz do Ponche Verde a 1º de março de 1845 deu fim a mais sangrenta guerra civil do Brasil e reintegrou o Rio Grande à comunhão nacional.
No episódio juliano da epopéia farroupilha sobressai a figura de uma mulher destemida, corajosa que passaria à história como “a heroína de dois mundos”, uma figura legendária nas lutas liberais dos dois lados do Atlântico, Brasil e Itália – Anita Garibaldi (1821-1849).
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    Lélia Pereira S.Nunes
O  Setembro primaveril em que celebrammos 177 anos da Revolução Farroupilha assinala,também o aniversário do pintor  WILY ZUMBLICK . Ele que com mestria  brincava com as cores, registrou  o cotidiano da nossa gente, cultuou suas crenças, com paixão cantou Santa Catarina e fez da “Bandeira do Divino” uma presença constante na sua obra pictórica, o que lhe valeu o título de “Pintor das Bandeiras do Divino.(…)
 Cronista do pincel, no seu estilo inconfundível, em traços simples e realistas, matizados de um forte humanismo, fez uma leitura visual fascinante da saga de Ana Ribeiro de Jesus, Aninha do Bentão, Anita Garibaldi, descrevendo com talento, sabedoria e muita sensibilidade a trajetória da brava e apaixonada mulher, orgulho da sua terra “barriga-verde”.
    « 99º Aniversário de Willy Zumblick e 177º anos da Rev.Farroupilha» **
    Lélia Pereira S.Nunes
 Zumblick deixa o seu pincel corporificar os momentos que marcaram fortemente a história de Anita e de uma guerra entre irmãos brasileiros. Numa concepção de intenso movimento, cheia de cromacia e muita luz, dá vida às formas e figuras, deixa fluir a emoção e nos remete ao imaginário, levando-nos a viajar no tempo daquele cenário histórico de lutas e de tantos sonhos de liberdade e igualdade e ir ao encontro de uma mulher e de um punhado de homens que deram à vida para fazer prevalecer os seus ideais de humanidade.
Fecho os meus olhos, a madrugada avança, escuto o vento sul, minuano que chega de roldão, frio,seco, desde a quietude das plagas lagunenses ou das coxilhas lageanas, sibilando histórias de um tempo que vive em mim e no coração da gente sulina.

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