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“À memória de Antero” Humberto de Bettencourt – Por  Olegário Paz

“À memória de Antero” Humberto de Bettencourt – Por Olegário Paz

Selecionado e dito por Olegário Paz<br /><br /><br />Açorianidade – 118 [Humberto de Bettencourt, “À memória de Antero”. Lisboa Cantat, "Já lá vão no alto mar”] <br /><br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/61d/61df0fd92cb150f32819c73fca800d151.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /><br /><br /><br /><br />

À memória de Antero

Morta a ilusão da vida, então o Mundo
Para tão vasto olhar tornou-se estreito:
Prisão que lhe oprimia em dor o peito,
Num desalento já de moribundo…

Ideais de Belo, Justo ou Bem fecundo,
Já nada em volta achava, em pó desfeito,
Por mais que olhasse, sempre insatisfeito,
Só um deserto via, árido e fundo!

E o coração, na luta sucumbido
Contra os tufões dum Mundo pervertido,
Como náufrago exangue em torvo mar,

Na mão de Deus, alfim, em paz descansa
De Deus que foi a última Esperança,
Última luz que ungiu tão vasto olhar!

Humberto de Bettencourt,
A ilha nova e outras rimas esparsas, Ponta Delgada, Instituto Cultural, 1955.

Humberto de Bettencourt de Medeiros e Câmara (1875-1963), professor, jornalista, ensaísta e poeta, nasceu, residiu, trabalhou e faleceu em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel.