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“A Poesia” Vital Ferrão – Por Olegário Paz

<b><br /><br />Açorianidade - 104</b> [Vital Ferrão, "A Poesia". Bernardo Sassetti, "Inquietude"]<br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/05c/05c94e9f6d72fb5dc76738aee07e08421.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

"A Poesia" Vital Ferrão - Por Olegário Paz

A Poesia

 

Não sei qual a cor da poesia.

Nunca a vi debruçar-se na janela,
andar de comboio
ou trabalhar na fábrica.
Sinto-a dentro de mim,
quando vejo a injustiça
molhar o bico nos homens.

Mas quando vou para escrevê-la,
sai-me a vida aos pedaços
como recortes de jornais.

Em mim,
a poesia é como a árvore,
que reage aos golpes do machado
e que resiste,
resiste…
a gritar de pé
como um homem proletário.

 

 

Vital Ferrão,
O animal das rodas dentadas
[Ponta Delgada], Sociedade Industrial de Tipografia, 1978.

Vital Ferrão é pseudónimo de Eduardo Jorge Brum (1954), escritor, jornalista, romancista. Natural de Rabo de Peixe, ilha de S. Miguel, trabalhou nos Estados Unidos da América e em Lisboa. Atualmente reside na cidade de Ponta Delgada.

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