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A VITORINO NEMÉSIO, por António Moreira (Com áudio)

Açorianidade,226  <div>Porque Hojeehsabado, 2015.02.21                                           <div> <div> <div><br /> <div><br /></div> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/c90/c9073ba0a3a2d876bcf8b9b4385a49701.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> </div> </div> </div> </div>

Às vezes chegam cegonhas

envoltas de um instante

a transgredir o sossego sobrado

nas frias manhãs de nevoeiro.

Chegam ao recolher das trindades

para encurtar o glacial árctico

traçado ao longo dos canais

com presságios a viajarem tão longe!

Procuram o farol aceso na irrupção da noite

num imenso cruzar alegre.

É um voo à volta das ilhas verdes. Por fim

no império nostálgico chamam o teu nome

através dos filamentos da luz ausente.

Não há inverno no fogo eterno

nem viagens mergulhadas no vazio

só futuros longínquos sem Relógio Inglês

para aquelas vozes que destruíram na terra

o limite da vida.

Américo Moreira,
Visão de Bruma,
Angra do Heroísmo, DRAC, 1987