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Açores – Sophia de Mello Breyner

Açores – Sophia de Mello Breyner

<p>Poema selecionado e declamado por Olegário Paz</p> <p> </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/482/48273d2ec4edf51d836b626030ccb47e1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Açores

Há um intenso orgulho 
Na palavra Açor 
E em redor das ilhas 
O mar é maior 

Como num convés 
Respiro amplidão 
No ar brilha a luz 
Da navegação 

Mas este convés 
É de terra escura 
É de lés a lés 
Prado agricultura 

É terra lavrada 
Por navegadores 
E os que no mar pescam 
São agricultores 

Por isso há nos homens 
Aprumo de proa 
E não sei que sonho 
Em cada pessoa 

As casas são brancas 
Em luz de pintor
Quem pintou as barras 
Afinou a cor 

Aqui o antigo 
Tem o limpo do novo 
É o mar que traz 
Do largo o renovo

E como num convés 
De intensa limpeza 
Há no ar um brilho 
De bruma e clareza 

É convés lavrado 
Em plena amplidão 
É o mar que traz 
As ilhas na mão 

Buscámos no mundo 
Mar e maravilhas 
Deslumbradamente 
Surgiram nove ilhas 

E foi na Terceira 
Com o mar à proa 
Que nasceu a mãe 
Do poeta Pessoa 

Em cujo poema
Respiro amplidão 
E me cerca a luz 
Da navegação 

Em cujo poema
Como num convés 
A limpeza extrema 
Luz de lés a lés 

Poema onde está 
A palavra pura 
De um povo cindido 
Por tanta aventura 

Poema onde está 
A palavra extrema 
Que une e reconhece 
Pois só no poema

Um povo amanhece 

 

Sophia de Mello Breyner,

O Nome das Coisas, Morais Editores, Lisboa, 1977

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), poeta, contista, tradutora, nasceu no Porto e viveu quase roda a sua vida em Lisboa.