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Adriana Bessone, “Toada” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade – 259 [Adriana Bessone, “Toada”. Anabela e Carlos Guilherme, “Flor sem tempo”.]

PorqueHojeEhSabad 05.12. 2015.

Açorianidade – 259 [Adriana Bessone, “Toada”. Anabela e Carlos Guilherme, “Flor sem tempo”.]


TOADA

Menina das longas tranças
Sentada à porta da rua
De bochechas encarnadas
Redondinhas como a lua.

Menina das tranças longas
Que bem fica o penteado!
De pés descalços ao sol
De bibe branco bordado.

Menina das tranças negras
De verde olhar inocente
Embalando com carinho
A bonequita “doente”…

Sem cuidados, logo ao lado,
A gozar o sol que brilha
O gato amarelo dorme
Quase em cima da cartilha!

As contas já ali feitas
Não sei se certas, se não…
À noite, depois da ceia
Só falta ler a lição

Ai! Quem tivera essa idade
Vida simples como a tua
Menina das negras tranças
Sentada à porta da rua.

Mal sabes quanto é feliz
Mas quão depressa se evola
O tempo em que a Vida "cabe"
Na malinha da escola!

Adriana Bessone,
Poemas de água,
Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 2006.

Pereira, Adriana Bessone (1932-2012), professora, poeta, natural de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, trabalhou na cidade natal, Coimbra e Figueira da Foz onde faleceu.