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«ADVENTUS» de Eduíno de Jesus

<b style="color: #444444; font-family: Arial,Tahoma,Helvetica,FreeSans,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: 18px; orphans: 2; text-align: justify; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #ffffff;"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"><i><span><br /><br /></span></i></span></b><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/21/217b58dc4ebd8bd2e7689fe101084f1d&w=420&sx=0&sy=0&sw=196&sh=314&q=75 " /><br />

ADVENTUS

Tragam o pão e o vinho. e a mulher pública (seu cor-
po ardente). o tangedor. o cavalo de combate.
o sublime doutor da Igreja. o terrorista suicida. o acrobata.
o confessor.

Há lugar para todos mesmo os refractários:
Os sábios e os tolos e esses que jamais vão a festins orgíacos: os castos, os abstémios.
E os mestres, por exemplo,
com suas becas e insígnias e dicionários.

Tudo está prestes.
O tempo previsto se cumpre. A Estrela da Anunciação
rompeu finalmente as trevas.
Eis o Menino com o Globo-Mundo na mão.

Venite. Adoremus.

EDUÍNO DE JESUS (1928)
(Poeta açoriano,natural dos Arrifes,Ilha de São Miguel. Vive em Lisboa.  Um dos grandes e respeitados  nomes da literatura portuguesa. Com a edição de Os Silos do Silêncio,enriquecida com um excelente esboço biobibliográfico do Autor,elaborado por Onésimo T.Almeida,pode-se aquilatar a singularidade e a importância da poesia do mestre Eduíno de Jesus no âmbito da geração dos anos 50 e do lirismo português da segunda metade do século XX)

Nota: (*) Menino Jesus. o Salvador do Mundo, segurando na mão esquerda o globo terrestre com uma cruz no topo. Sec.XVII. escultura em Marfim. Colecção de Álvaro Sequeira Pinto