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Albano Cordeiro, “À noitinha” – (c/áudio)- Olegário Paz

Albano Cordeiro, “À noitinha” – (c/áudio)- Olegário Paz

<br />AÇORIANIDADE 180<br /><i>PorqueHojeEhSabado   </i>2014.02.01 <div><br /></div> <div><br /></div> <div> [Albano Cordeiro, "À noitinha". J. S. Bach, "Concerto"]. <br /><br /><br /></div> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/823/823294921c73ef75a480a0a7509c65641.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

(Vincent Willem van Gogh 1853-90)
À NOITINHA

 Oiço trindades a rezar baixinho
 E dos campos regressa tôda a gente…
 A noite desce, voluptuosamente,
 Aconchegando as asas no seu ninho…   

 Há rubras pinceladas no poente,
 Manchas de fogo, inundações de vinho…
 A toutinegra canta no caminho
 Enquanto a aragem corre, lèvemente…  
 E eu penso e cismo na tristeza imensa
 Que envolve a noite imperturbável, densa,
 Dos miseráveis, como cães sem dono…   
 E dos que vivem a chorar sòsinhos,
 Aos tombos pela vida, sem carinhos,
 Rezando à vida as orações do outono…       
 Albano Cordeiro, Regresso, Ponta Delgada, Tip. do Correio dos Açores, [1961]. 

Albano Botelho Cordeiro (1914-1964), funcionário público, poeta, natural da freguesia de Ribeira Seca, ilha de S. Miguel, residiu e trabalhou na atual cidade de Ribeira Grande, da mesma ilha onde veio a falecer.