Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.

Alfred Lewis, “Noitinha” – Olegário Paz (som)

<b>Açorianidade- 136 </b>[Alfred Lewis, "Noitinha". Pietro Mascagni, "Cavalaria Rusticana - Intermezzo"]<br /><br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/c03/c0382ab3aee382e2cd6d5b13d7b786e31.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <i><br /><br />PorqueHojeEhSabado<br /></i>2013.01.26

Alfred Lewis, "Noitinha" - Olegário Paz (som)

 

 NOITINHA

O sol cerrou a porta!
De pouco a pouco o silêncio cobre
Aldeia e campos. Deus, como sempre
Acende os astros, grandes e pequenos,
E padeja carvão para acender a lua.

Com seu bordão de cedro Ti Corvelo sai
Com passos certos sobre as pedras lisas,
Que o vão levar ao templo
Para tocar o sino e chamar o povo
Em oração nocturna
Ao pastor santo que nos vê e guia.

Um vapor branco
Com bandeiras de mastro a mastro
Desliza-se no mar, perto da praia,
De rumo contra as nuvens espalhadas
Em baixo, lá, sobre a linha do pego.

Sobre uma parede
Balanceando as pernas, um rapaz toca
Uma gaita americana.
Um grilo, curioso, começa e pára
A toada do costume
Com que saúda a chegada da noite.

E o cheiro da comida!…
Bonito assado ou bolos no forno
E um caldo de agrião,
Soletram ceia para a gente
Nos sentarmos à mesa da cozinha.

Mais tarde, sob uma colcha tecida na terra
E um lençol crespo de linho
Iremos escutar passos lá fora
Da gente de outro mundo
Perdido, a chorar, na solidão das horas,

Até que o sono bata à porta e entre.

  Los Banos, Cal. 8-III-73

            Alfred Lewis,
Aguarelas Florentinas e outras poesias,
Angra do Heroísmo, Serviços de Emigração, 1986.

Alfredo Luís (1902-1977), conhecido por Alfred Lewis, romancista, dramaturgo, poeta, natural da freguesia de Fajãzinha, ilha das Flores, trabalhou e residiu na Califórnia, EUA, nomeadamente em S. Francisco e diversas cidades do Vale de São Joaquim, tendo falecido em Los Banos.

Foto de UMass Dartmouth