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ALMA AÇÓRICA (52-54) – José Contente

<br /><br /><br /><br /><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/53/5354701857332f70677a9e61d75e7cb1&w=420&sx=0&sy=0&sw=10000&sh=10000&q=75" /><br />(Wassily Kandinsky, Composition VII, 1939)<br /><br /><br /><br />

ALMA AÇÓRICA (52)

Em tempos pré-eleitorais, muitos perdem a razão…Logo após o 25 de Abril, presenciei um quadro de crispação política associado a um escarcéu mais ou menos melodioso… Nunca mais esqueci a sentença de um jorgense que era homem trigueiro pelo sol da terra: “assomeguem-se, não é por estarem açodados que vão ter mais razão”…

 

ALMA AÇÓRICA (53)

No tempo da sociedade de classificação e enquadramento fortes, no sentido de Basil Bernstein, até o aprender a nadar revelava essas “distinções”…Refiro-me ao modo como muitos rapazes tinham que “beber pirolitos” até conseguirem dar um “mergulho à babuja” e mais tarde “imitar” o estilo crawl, mais valorizado quando não se fazia “água branca”…nessa sociedade de classificação e enquadramento fortes, nadar de bruços ou de costas era mais “bem visto” nas raparigas …Com a democratização da sociedade desapareceram estes controlos sociais e os estigmas…nestes assuntos do mar, os açorianos e as açorianas vivem mais numa espécie de abraço marítimo retemperador!

ALMA AÇÓRICA (54)

Se, no mundo das plantas e dos animais foram precisos 4 a 6 milhões de anos para termos os nossos endemismos e especiações, na esfera da sabedoria dos anos bastaram pouco mais de 500 anos… Na verdade, continuo a surpreender-me pela dialéctica que o mar e a terra imprimiram na linguagem e saber entre nós..Recentementete, registei novo diálogo neste estio, em dia de 100% de humidade relativa…Queixava-se um lavrador: “hoje está de matar”…o outro mais velho respondeu: “quem começa de manhã tem 3/4 do dia feito porque da tarde o sol não deixa render tanto”…e não precisou “falar de rijo” para ser fazer entender…

José Contente
Setembro 2012