Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.
Amílcar Goulart – Poema branco

Amílcar Goulart – Poema branco

PorqueHojeEhSabado, 2018.06.09 -Açorianidade – 372 [Amílcar Goulart, “Poema branco”. Duo Anticiclone, “Manjericão”]. Organizado por Olegário Paz

(Poema branco)

Perdido no longe onde há bruma
o Barquito balanceia nas águas mansas,
velas pandas pelo vento que vem vindo do imenso Mar…

Barquito da Ilusão onde está o teu destino?
São quatro os pontos cardeais,
mas muitos outros existem e são caminhos também.
Por qual deles tomas tu, ó Barquito da Ilusão?

Batel da Aventura Maravilhosa
tu tens um destino ignorado,
procuras um horizonte que não alcanças nunca.
Vais em busca duma miragem que se desvanece.

A estrada movediça do imenso Mar
conduz a todos os caminhos do mundo.
E em todos os portos há luz,
só o meu ficou para sempre às escuras,
na negra solidão onde se agitam os meus fantasmas…

Barquito da Ilusão,
teu destino é caminhar,
seguir sempre pela lisa planura prateada da Lua,
ou doirada do Sol.
Vais em busca dum horizonte que não alcanças nunca.
Navegas no sonho e no anseio da própria alma…

Este mesmo vento que vem vindo do imenso Mar
e que agita os meus revoltos cabelos,
é o vento que infla a tua branca vela.
Até mim ele traz-me da distância
os segredos de um nunca olvidado amor…

É o que de ti me resta, meu Batel da Ilusão
perdido para todo o sempre…

Amílcar Goulart,
In [Revista] Açores – Madeira, [Funchal], 1953.

Goulart, Amílcar, (1910-1994), ator-amador, dramaturgo, romancista policial, natural da cidade da Horta onde residiu e trabalhou como funcionário da administração pública e onde veio a falecer.