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Aníbal Raposo, “Poema para o meu amor” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade – 194  [Aníbal Raposo, “Poema para o meu amor”. Aníbal Raposo, “Eu já voei”].

PorqueHojeEhSabado 2014.05.10 
 


   POEMA PARA O MEU AMOR  



Há voos de pássaros nos teus olhos castanhos de sereia,
Batuques africanos no balouçar do teu corpo de gazela.
Há frutos maduros na tumidez dos teus pequenos seios
E promessas loucas na humidade dos teus lábios entreabertos.

Há como um tango argentino no desafio da tua cintura estreita.
Há um doce encanto no urdir das tuas trancinhas de menina.
Há estranhos sortilégios escondidos em tuas mãos de fada
E há rouxinóis magoados de cada vez que cantas.

Há ondas de ternura neste teu jeito suave
E danças peruanas nas tuas ancas pela alba.
Há calor dos trópicos no aperto dos teus braços tão sinceros
E uma paz das ilhas no teu macio leito de princesa.

Há druidas, de novo, preparando filtros à sombra dos carvalhos
E lagos privados onde nadam altivos cisnes brancos.
E há luas de fajãs que riscam no mar trilhos de prata
E nascentes de água que brotam do teu riso cristalino.

Aníbal Raposo,
Voos da minha fajã,
Ponta Delgada, ed. do autor, 2009.






Aníbal Duarte Raposo (1954) engenheiro mecânico, gestor de empresas, poeta, músico natural da freguesia da Relva, ilha de São Miguel, trabalhou no Porto, em Ponta Delgada e na terra natal onde reside.