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António Ramiro, “Entardecer” – (c/áudio) Olegário Paz

António Ramiro, “Entardecer” – (c/áudio) Olegário Paz

<div><i>PorqueHojeEhSabado</i> 2014.11.08 </div> Açorianidade - 211 [António Ramiro, "Entardecer". Banda Filarmónica da Ribeira Seca, S. Jorge, "Açores"]<br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/b75/b752547909679faba07695bb1a6c2c551.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

(Claude Monet 1840-1926)
ENTARDECER

Nas aldeias socegadas,
Como é belo o entardecer!
Morrem, frouxas, nas estradas
As labutas do viver…

Os carros que gemem, lentos,
Gemidos de lentidão,
Vão chorando desalentos
Nos caminhos onde vão…

O Sol rôxo, no Poente,
A amortalhar-se nas águas,
Parece ir, triste e doente,
A carpir saudosas máguas…

Que o Sol tambêm tem saudades
Das remotas Primaveras,
Das formosas claridades
Doutros tempos, doutras eras…

Chora o mar, entre os rochedos,
Um chôro longo, sem fim,
Murmura em brandos segrêdos
Sonhos brancos de marfim…

As avesitas, em bando,
Vão dormir nas laranjeiras;
As brancas azas ruflando,
Passam as pombas ligeiras…

É à hora vespertina
Quando o fumo sobe aos ares
Que a paz serena, divina,
Desce sobre os nossos lares…

António Ramiro,
Folhas secas, Minerva Soares, Calheta, São Jorge, 1915

António Ramiro da Silveira (1892-1949), comerciante, natural da Fajã do Belo, Ribeira Seca, ilha de S. Jorge, residiu e trabalhou na vila das Calheta e na freguesia natal onde veio a falecer.