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Azevedo da Cunha, “Retrato da namorada” – (c/áudio) Olegário Paz

Azevedo da Cunha, “Retrato da namorada” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade - 228 [Azevedo da Cunha, "Retrato da namorada". Grupo Etnográfico da Beira - ilha de S. Jorge, "Solteirinhas"]. <div><br />PorqueHojeEhSabado 2015.03.07</div> <div><br /></div> <div><br /></div> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/569/569c1b7eb602ee50cb34cb4b11d32ea51.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Pierre-Auguste Renoir 1841-1919
RETRATO DA NAMORADA

Eu sou réu e vós autora,
Em certas ocasiões;
Menina, dai-me licença
Que eu note vossas feições.

Quer m’a deis, quer m’a não deis
Sempre vo-la vou notar;
Começarei da cabeça
Aos pés irei acabar.

Vossos cabelos dourados
Compostos da vossa mão,
Todo o mundo se admira
De tão linda perfeição.

Os vossos olhos, menina,
São faróis do mar, e guerra;
Quando vão para o mar largo
Deitam faíscas em terra.

Tendes os dentinhos ralos,
Metei-lhes cravos no meio;
Sondes a mais linda dama
Que na rua anda a passeio.

Os vossos ombros, menina,
Ambos de dois são iguais;
Não sois bonita nem feia,
Sois o quanto precisais.

Vossas mãos de clara neve,
Fio d’oiro rebatido,
Bem podia vir um sonho
Tirar-vos do meu sentido.

Tendes o pé pequenino,
Do tamanho dum vintém;
Bem podia calçar d’oiro
Quem tão pequeno pé tem.

Comecei em fios de oiro
A notar vossos sinais;
Menina, vós sondes de oiro,
D’oiro sois, d’oiro ficais.

Cancioneiro da Calheta de S. Jorge, [coligido pelo] Pe. Manuel d’Azevedo da Cunha, Angra do Heroísmo, Edição da Direcção Regional da Cultura, 2001

Cunha, Manuel d’Azevedo da (1861-1937), padre, professor, historiador, jornalista natural da vila da Calheta, Ilha de S. Jorge, trabalhou no lugar dos Biscoitos da mesma ilha e na vila natal onde faleceu’