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Belmira de Andrade, “A uma violeta”

Poema dito por Olegário Paz  <br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/1e9/1e97b2927e781a616e43d6ca5897b15b1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /><br /><br />Açorianidade - 112 [Belmira de Andrade, "A uma violeta".<br /> Grupo Etnográfico da Beira (S. Jorge), "Meninas"] Mariana Belmira de Andrade (1844-1921), professora, natural da vila das Velas, ilha de S. Jorge, onde viveu e trabalhou.<br /><br /><br /><br />                      <img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/6c/6cb712471e134d468d399cf185d76acc&w=420&sx=0&sy=0&sw=500&sh=738&q=75 " width="96" height="141" /><br /><br /><br />

A UMA VIOLETA

Meiga flôr! Tu, que és tão pura,
D’aromas tão perfumada,
    Tão mimosa!…
Porque ocultas na espessura
Tua face aveludada,
     Vergonhosa?!…

Receias que a rosa altiva
Te mire co’o frio olhar
     D’ironia?
Temes que sua côr viva,
Suas galas a ostentar
     De ti ria?

Oh! não fujas de mostrar-te
A par da mais linda flôr
    Flôr dilecta!
Não póde a rosa igualar-te
Na modéstia e no candôr,
    Não, violeta!

Que importa que a linda rosa
Tenha um throno alevantado
     Entre as flôres?!…
Ai, que importa se a maldosa
D’espinhos tem circundado
    Seus primores!…

E tu, symbolo da candura,
Minha flôr d’inspiração,
    Meu amôr!
Quem teus encantos procura
Ha-de achal-os sem traição,
    Roxa flôr!…

Violeta, flôr mimosa,
Nunca teu collo se dobre
    Ao temporal!…
Nunca tu’haste viçosa
Emurchecida sossobre
    Ao vendaval!

Beijem-te as auras suaves,
Teu casto seio affagando
    Delirantes!
Festejem-te lindas aves
Seus gorjeios modulando
    Incessantes!

 

Velas, dezembro, 1865 

Belmira de Andrade,
Phantasias,
 Ponta Delgada, Typ. dos Açores, 1875


Imagem de:  http://florailluminated.wordpress.com/tag/botanical-art/