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Bento Viana, “Mote e Glosa” (som) Olegário Paz

Açorianidade – 279 PorqueHojeEhSabado 2016.04.23 [Bento Viana, “Mote e Glosa”. Freitas Branco / Álvaro Cassuto, “Suite Alentejana”]


MOTE e GLOSA

Tyrannos ferros quebrei
No Templo da Liberdade,

N’huma masmorra me achei,
A cruéis supplícios dado,
No instante em que denodado
Tyrannos ferros quebrei.
Em vão submisso invoquei
As leis da humanidade,
Nunca pôde a san verdade
Arrancar-me da prizão…
Achar-me desejo em vão
No Templo da Liberdade.

AO MESMO – GLOSA

«Minha Patria libertei
(Dizia Bruto esforçado);
Na san Virtude escorado,
Tyrannos ferros quebrei.
Lição dos Despotas dei,
Dei triunfos á Verdade,
Destruí a crueldade
De hum throno em crimes famoso,
Hoje tenho assento honroso
No Templo da Liberdade.

AO MESMO – OUTRA

Apenas eu meditei
Nos crimes da Tyrannia,
A Rousseau tendo por guia,
Tyrannos ferros quebrei.
A minha Patria deixei
Com lustros cinco d’idade,
Aqui nesta soledade
A Minerva incensos dou…
Ás vezes cuido que estou
No Templo da Liberdade.

Bento Viana,
In Poesias,
Paris, Oficina F. Didot, 1821.


Viana, Bento Luís (1794-1823) poeta, natural da hoje cidade de Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, viveu em Paris tendo frequentado o curso de Medicina e em Londres onde provavelmente veio a falecer.