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Bernardete Falcão, “Sonho de ilhéu” (som) Olegário Paz

AÇORIANIDADE 277 PorqueHojeEhSabado 2016.04.09 [Bernardete Falcão, “Sonho de ilhéu”. Jorge Fontes, “Cantiga dos Açores”].

SONHO DE ILHÉU

Sonho de ilhéu
É vôo de gaivota
Entre o mar e o céu.

E há sempre um navio
Saindo da bruma…
Esperanças que sobem
Nas ondas que morrem
Desfeitas em espuma.

E há sempre um navio
Saindo da bruma…

Há oiro e há sangue
Lá longe no mar.
O sol das Américas!
Oiro dos Brasis!
Há fogo no mar!
É o sol no poente.
(Minha mãe:
Ao notar estas linhas estou doente…)

É sangue!
É sangue de ilhéus!

É sangue!
Oiro dos Brasis!
É o sol no poente.

E há sempre um navio
Saindo da bruma…

Não são… Não são nuvens…
São casas, figuras,
Lisboa, Paris,
Cidades, o Mundo!…
Não são… Não são nuvens…
São casas, figuras,
São homens, além.

E há sempre um navio
Que vai ou que vem.

Há sempre um navio
Saindo a baía…
Luzes no escuro
Que traçam a rota
da nostalgia.

Há sempre um navio
Saindo da baía
E fica na noite
Um estranho mistério,
Um fluído de amor
Pairando no ar.

Donde é que ele virá?
Da terra ou das flores
Dormindo em redor?
Ou filtro que escorre
Da lua p’r’o mar?

É o sonho,
O sonho do ilhéu,
Que fica suspenso
Entre o mar e o céu.

Bernardete Falcão,
in O mar é que teve a culpa,
Funchal, Eco do Funchal, 1961.

Falcão, Maria Bernardete de Freitas Simões (1924) poeta, professora, natural de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, casou e viveu na freguesia de S. Pedro do Funchal, ilha da Madeira, onde reside.