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Brites de Araújo: Aldeão (Som) Por Olegário Paz

Brites de Araújo: Aldeão (Som) Por Olegário Paz

AÇORIANIDADE 240 PorqueHojeEhSabado 2015.05.30


Porque trazes tu dentro dos olhos

Toda a beleza de um dia de Verão?!

Porque trazes tu dentro dos olhos

Toda a frescura da terra molhada,

Toda a beleza de um céu azul,

O riso brilhante da enxada?!

Porque é tua pele escura e enrugada

Como a terra que tuas mãos trabalham?

Como trazes tu dentro da cesta fechada

O canto dos pássaros, os olhos do sol,

O gemido da semente, o hálito da terra?…

És tão grande e tão pequeno!…

Tens alma de menino.

Tu não tens aquele horrível veneno

Senhor da guerra e da desgraça

Que impera nos «grandes senhores»;

— Políticos , senhores das nações e do capital. —

Tens nos olhos toda a mansidão,

Todo o amor e toda a grandeza

Que encerra aquela que nos dá o pão.

Aldeão,

Ensina-me a trazer na mão, fechada,

Toda a grandeza, todo o mistério,

Toda a mansidão da terra lavrada!


Brites Araújo,
Chamas na noite,
Impraçor, Ponta Delgada, 1978.

Araújo, Humberta de Brites Dias Jerónimo (1959) técnica de informação aeronáutica, articulista, natural da vila de Santa Cruz, ilha Graciosa, reside e trabalha na cidade de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel.