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Cândido Pimentel -RITUAL POÉTICO (c/áudio) Olegário Paz

<br /><b>AÇORIANIDADE </b><b>204</b> <br /> <table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"> <tbody> </tbody> </table> PorqueHojeEhSabado 2014.09.20<br /><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/b98/b98dbbcd70db330d13939e4ca5e99a0f1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>




RITUAL POÉTICO

Vestiste a ausência
E tomaste as armas brancas
     da acusação …
Como um rio deslizaste
E nos teus lábios havia o delta
De um futuro olvidado
Como se eu tivesse mordido
A maçã do esquecimento.
Abrir as portas da noite
     seria a esperança,
O absurdo vago do passo perdido;
Mais valia rasgar o ventre
     da verdade
Ao fogo do dia
E não deslizar como a água
E não cantar como o vento
Que o som das pegadas
Se afastou na lonjura do caminho…
Entender o verbo e a palavra
É entender a cabala dos olhos perdidos,
O gesto hermético do mover dos dedos,
A penumbra da alma que a luz não viu.
O sentido daquele que escreveu na água
     não importa;
Tudo é o gesto nostálgico e cansado
De quem bateu à mesma porta.
Nem sempre o sonho antigo –
     o novo sonho;
Nem sempre a água do rio –
     ¬a mesma água…
Mas talvez a boca da nascente
Tenha sempre a vaga tonalidade
     à luz do dia,
O mesmo rito que faz nascer a morte,
O mesmo rito que faz morrer a vida…
– Entender tudo isto
     é entender a cabala
Dos olhos perdidos
     no ritual poético.

Manuel Cândido,
Ritual poético, Vila Franca do Campo, Ed. Ilha Nova, 1984.

Manuel Cândido de Melo Medeiros Pimentel (1961), professor, investigador, natural de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, trabalhou em Ponta Delgada e leciona atualmente na Universidade Católica em Lisboa onde reside.