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Coronel Vítor Alves — “Testemunho” — De Maria Teresa Gomes Ferreira de Almeida Alves

<p><br /><br /><br />O Coronel Vítor Alves faleceu a 9 de Janeiro de 2011 no Hospital Militar, em Lisboa.  Com o seu falecimento, está de luto a sua família, estão de luto os seus amigos, está de luto o nosso  País,  e todos os que acreditam na <i>liberdade.</i>  <br />Que fique a memória do amor e altruísmo do Coronel Vítor Alves na luta por uma sociedade mais justa e democrática; que fique a memória do testemunho de um homem que dedicou a sua vida a melhorar a dos outros.  <br /><br />Deus dê paz à sua alma!<br /><br /><br />         <img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/3b/3b11b56c7c381eeede8e92711e23f1ce&w=420&sx=0&sy=0&sw=154&sh=224&q=75 " /></p> <p><br />É uma honra poder partilhar com os milhares de leitores do <em>Comunidades</em> as palavras de 'testemunho' escritas pela querida Amiga e Colega, Maria Teresa Gomes Ferreira de Almeida Alves, mulher do Coronel Vítor Alves.  <br /><br />O texto foi lido na missa de corpo presente na Capela da Academia Militar em Lisboa a 10 de Janeiro, 2011, numa homenagem ao homem na História, mas olhando também para o que está além dela, ou seja, a dimensão de infinito do ser humano, e possa ser inspirador de todos nós.</p>

Testemunho

“Tudo tem o seu tempo” como aprendemos no livro dos Eclesiastes:

Para tudo há um momento
e um tempo para cada coisa
que se deseja debaixo do céu
tempo para nascer e tempo para
morrer
tempo para plantar e tempo para
arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para
curar,
tempo para destruir e tempo para
edificar,
tempo para chorar e tempo
para rir,
tempo para se lamentar e tempo
para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para
as juntar,
tempo para abraçar e tempo para
evitar o abraço,
tempo para procurar e tempo para
perder
tempo para guardar e tempo para
atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para
coser,
tempo para calar e tempo para
falar,
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para a guerra e tempo para a paz.

     O Vítor percorreu o seu tempo e nada foi alheio à sua experiência de vida.
     Nasceu no último dia do mês das vindimas, quando as uvas maduras se transformam em néctar precioso, que, também simboliza a transubstanciação do sangue de Cristo.
     Morreu na estação do ano em que periodicamente comemoramos o nascimento do Menino que veio oferecer ao mundo o renascimento na Fé e no Amor.
     Plantou sementes de vida, biológica e social, e desejou arrancar as ervinhas daninhas que aqui e acolá vão despontando.
     Ansiou por destruir sinais da menoridade humana, e edificar um mundo mais igualitário e justo.
     Usufruiu à saciedade o tempo de lágrimas e de risos, também, o dos lamentos e folguedos, na diversidade das vivências entretecendo a sua identidade.
     Lançou pedras e juntou-as na construção dos seus sonhos.
     Abraçou enternecidamente a vida sem nunca comprometer a liberdade das suas escolhas.
     Encetou a sua demanda, celebrando ganhos e aceitando perdas.      
     Guardou ciosamente as dádivas recebidas sem sucumbir ao seu peso.
     Rasgou caminhos, procurando coser-s ao mais íntimo de si mesmo.
     Calou as suas mágoas, nunca se abstendo, contudo, de pugnar pelas suas ideias.
     Amou com (com)paixão e, se conheceu o sentimento do ódio jamais o cultivou.
     Praticou a arte da guerra, sem nunca perder o ideal da Paz.

    TUDO TEM O SEU TEMPO

     Chegou o momento do Vítor caminhar da periferia, onde habitamos nas nossas fragilidades e sonhos, para o centro onde se desvenda a plenitude.
     Como testemunho de uma vida partilhada por quase meio século, desejo ardentemente que, na sua demanda do centro seja dado ao Vítor apaziguar a inquietude que o preparou para percorrer, ora em alegria ora em dor, o caminho da plenitude redentora.

 Maria Teresa Gomes Ferreira de Almeida Alves