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Daniel de Sá, “Natividade pátria” (c/áudio) Olegário Paz

Daniel de Sá, “Natividade pátria” (c/áudio) Olegário Paz

<b>Açorianidade - 192 </b>[Daniel de Sá, "Natividade pátria". M. Laginha e B. Sassetti, "Grândola"].<br /><i>PorqueHojeEhSabado</i> 2014.04.26 <br /> <div><br /></div> <div><br /></div> <div><br /></div>

(Boris Taslitzky,  1911-205)








VIII -NATIVIDADE PÁTRIA


Tanto se cantou de madrugada,
Tanta esperança gritada
Tanta voz sem alento
(E as almas cheias dele)!
– Foi tudo poeira ao vento
Se já não acreditamos.

E tantos que louvaram essa hora
E a não quiseram!
E tantos, ainda agora,
Sem esperança esperam!

Ando louco de amor por um país
Que não existe.
Ó vós que o construís
Por que o não construístes?…

Mas o amor é inútil se é tão leve
Que seja só uma amizade casta
Que não fecunde a terra a quem serve.
Amar assim não basta…

Ah! se eu tivesse uma pena
Que fosse uma espada
De convencimento,
Essa pátria seria serena
Seria gerada
Já neste momento.

E um dia.
Muito em breve,
Nasceria.

Porque esta nação que somos
Espera a pátria a haver
Dessa semente em que pomos
A razão de ela nascer.

(Como isto soa a falsa alegoria
Do que se teme fazer, mas que se deve…)

Que seja em breve o dia.
E seja breve.

Daniel de Sá,
Maia [S. Miguel], Em nome do povo. Amem. Anti-poemas e outras palavras, 1979.









Daniel Augusto Raposo de Sá (1944-2013), professor, escritor, político, natural da freguesia da Maia, ilha de S. Miguel onde residiu, trabalhou e morreu.