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Dinis Decq Motta, “Invernia” – (c/áudio) Olegário Paz

Dinis Decq Motta, “Invernia” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade - 216 [Dinis Decq Motta, "Invernia". "Tai Chi Meditation"].<br /><br />PorqueHojeEhSabado 2014.12.13<br /> <div><br /></div> <div><br /></div> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/350/350d9fb8108c715024c535aeb5a167b41.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

(Jacob Camille Pissarro, 1830 – 1903)

INVERNIA

Tarde cinzenta e fria
De invernia
Com o vento assobiando
E dobrando
O corpo enregelado
E enrugado!

São as tardes molhadas
Alagadas…
O nevoeiro que cobre
E que encobre
Envolvendo em seu manto
O meu pranto…

São essas tardes horrendas
E tremendas
Em que a alma arrefece
E padece
E o amargo da saudade
Nos invade!…

São as tardes friorentas,
Pardacentas,
Que amachucam nosso Eu
Que morreu:
– Coração meio morto,
Sem conforto…

Tardes do fim do mundo,
Mar sem fundo
De imensa solidão…
Tardes negras sem beleza,
De tristeza
Que corta o coração!

É isto a invernia:
– Rebeldia
Ou tempo de apatia!…
De nuvens em farrapos
Como trapos
E os nervos em frangalhos
Como galhos
Sem folhas e quebrados,
Violentados!…

Dinis Decq Motta, Relicário Íntimo IV,
Instituto Cultural, Ponta Delgada, 1991.

Dinis Decq Motta (1925-2044), funcionário público, poeta, natural de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, aí residiu, trabalhou e veio a falecer.