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Dois Poemas de ANTERO DE QUENTAL
       (1842-1891)

Dois Poemas de ANTERO DE QUENTAL (1842-1891)

<span style="color: #37404e; font-family: 'lucida grande',tahoma,verdana,arial,sans-serif; font-size: 12.7273px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: 17.9972px; text-align: left; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; word-spacing: 0px; background-color: #ffffff; display: inline ! important; float: none;"><span class="Apple-converted-space"> </span><br />Dia 18 de Abril, 171 anos de nascimento do poeta Antero de Quental.<br /> <br /></span>

Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos de um fôlego as colinas
Do rocio da noite inda orvalhadas;

Ou vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe no horizonte amontoadas;

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empacideces…

O vento e o mar murmuram orações
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

in «A Geração de 70» Sonetos de Antero de Quental,
segundo vol., Círculo de Leitores, 1987

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O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d´ouro, ante mais ais!

Abrem-se as portas d´ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão—e nada mais!

           In: Sonetos