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Eduardo Ferraz da Rosa, “Sem pôr nem tirar” – Dito por Olegário Paz

Açorianidade – 166 [Eduardo Ferraz da Rosa, “Sem pôr nem tirar”. Hélio Beirão, “Angra”]<br /><br />

 

SEM PÔR NEM TIRAR


Na circunvalação
Obtusa
Dos dias
Um anjo de mar
Regularmente embriagado
De horizonte
Amassa
O nosso impulsivo
Madrugar
De gaivotas.

Um outono inteiro
De vento
─ Hiposcénio cantante
De amarguras ─
¬Esquadrinha-nos
A fronte alevantada
De ânimo cansado.

Somos os afluentes
Calcinados

O simbólico Verbo

Complexo e duro
De um oceano
Perturbado.

Tal e qual

Sem pôr nem tirar

Somos irremediavelmente
Assim.

Eduardo Ferraz da Rosa,
E o mar este silêncio,
Angra do Heroísmo, SREC, 1980.
Eduardo Ferraz da Rosa (1954), professor, ensaísta, poeta, natural da Praia da Vitória, ilha Terceira, reside na freguesia de São Mateus da mesma ilha, tendo trabalhado nas cidades de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo.