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EDUARDO MAYONE DIAS
   Uma das mais creditadas vozes da Imigração Portuguesa
                    Lélia Pereira da Silva Nunes

EDUARDO MAYONE DIAS Uma das mais creditadas vozes da Imigração Portuguesa Lélia Pereira da Silva Nunes

<i>"Gosto de escrever sobre a vida. Sobre o mundo que me rodeia. Porque cada dia é uma descoberta de algo que pode ser muito comezinho mas também encantador"</i><br />  ( EAMD, em entrevista a António Oliveira, Mundo     Português,2000)

Cronista da América, professor, "gentleman", atento observador das andanças de seu povo português emigrado e da vida nas comunidades da diáspora, estas foram algumas das considerações feitas ao ser apresentada por Walter Fernando Piazza e Onésimo T.Almeida ao Prof.Doutor Eduardo Mayone Dias, em novembro de 1995, durante o 4º Congresso das Comunidades Açorianas realizado na cidade da Horta,Açores.
Pouco conhecia de sua obra, mas o suficiente para saber que estava diante de uma das figuras mais respeitadas e admiradas no mundo das letras da diáspora portuguesa, do eminente professor, do investigador profundo da vida societária dos emigrantes portugueses na Califórnia. "Historiou como ninguém a presença dos açorianos na Califórnia", afirmou Onésimo T. Almeida.
Naquele Congresso, Mayone Dias discorreu sobre os "Picoenses em San Diego",( meados do século XIX até a década de 90, do século passado). Uma verdadeira aula de história e de sociologia política sobre as relações de trabalho, interações sociais e culturais daquela comunidade de emigrados açorianos. Suas lutas e vitórias. Seu desvanecimento com as mudanças sociais e culturais inexoráveis. Sua grande contribuição no desenvolvimento da cidade de San Diego.
Não mais tive o prazer de encontrá-lo. Ficou na memória o registro da sua sabedoria e simplicidade, das conversas compridas, da simpatia, da elegância e da serenidade de um incrível olhar azul. Reencontrei-o na sua obra espalhada em várias publicações como "Crónica das Américas"(1981);"Novas Crónicas das Américas" (1987) e "Miscelânia L(USA)landesa(1997).Ou mesmo referenciado ou entrevistado por outros autores que comungam as mesmas preocupações e anseios e que também um dia buscaram o sonho americano,na outra margem do Atlântico. Cito como referência Diniz Borges no seu artigo "Vozes do Povo A comunicação-social de língua portuguesa no estado da Califórnia-Uma possível Leitura"(www.comunidadesacorianas.com); Onésimo T.Almeida em: L(USA)lândia:A Décima Ilha(1987),Francisco Cota Fagundes(org./prefácio) em"Ecos de uma Viagem: Em honra de Eduardo Mayone Dias"(1999) e Vamberto Freitas em: Jornal da Emigração:L(USA)lândia Reinventada (1990),Jornal da Emigração II: Pátria ao Longe(1992) e no Prefácio da obra Miscelânia L(USA)landesa"(1997), cuja sua parte conclusiva comprova a importância da obra de Eduardo Mayone Dias:"(…) aí está para lembrar e ensinar levemente a quem o queira que de um Portugal geograficamente reduzido saiu um povo heterogéneo e deveras interessantíssimo quando colocado nos mais longínquos e estranhos cantos do mundo. Traz-vos, é certo, apenas uma pequena parcela do mundo lusíada e uma que nunca teve lugar na História ‘oficial’ da Nação. Mas os factos e a reavaliação da nossa realidade nacional vão-se impondo com esforços como este. É que os acima de três milhões de Portugueses diaspóricos, de que os da Califórnia orgulhosamente fazem parte, não poderão permanecer para sempre simples e ocasional apêndice da retórica nacional".
Crônicas sociais escritas com o devido distanciamento com a finalidade de dar a conhecer uma realidade. Uma peça jornalística. Uma escrita magnífica de grande qualidade literária onde o sentir se expressa na agudeza de espírito, na perspicácia, na sutileza de levar o leitor a pensar ou transformando-o em cúmplice de seu olhar. Seja uma crônica que fale de suas vivências no Mexico, que retrate a vida do povo latino-americano duramente marcado em sua realidade pela marginalidade social que oprime o homem ou que destaque à produção literária e a cultura hispânica e até mesmo a brasileira.
As crônicas publicadas no século XXI, o tempo do agora, mantém a mesma atenção e preocupação com os rumos da presença lusa na Califórnia e o fortalecimento da sua identidade. Uma emigração que acompanha a marcha do tempo desde os pioneiros,aqueles que com perseverança abriram os caminhos em terreno abrupto. Agora fala do futuro das gerações e o sentimento de pertença à terra de seus pais e avós ou a terra de acolhimento,a América enquanto grupo coeso e representativo,consciente dos seus direitos e deveres..Defende a unidade,o coletivo, o NÓS e não uma soma de EUS. Aqui cabe muito bem as palavras de Diniz Borges: " Há sim que defender o que é nosso e o direito da existência de tudo que criámos, há ainda que pensar na metamorfose que as comunidades da Califórnia têm sido sujeitas. Há que reflectir no envelhecimento das nossas comunidades e com elas o desaparecimento do gosto pelas coisas de um passado que aos jovens lhes diz pouco. É que embora os emigrantes nunca sejam totalmente americanos, ficam/ficamos sim cada vez menos portugueses e os seus/nossos descendentes nunca serão tão portugueses como os pais ou os avós."
Suas crônicas continuam "papo cabeça",abertas, frontais, ricas na informação, cheia de astúcia,e de admirável humor contando histórias e mostrando os processos de mudanças sociais e culturais por que passam  as comunidades portuguesas na Califórnia do século XXI. Hoje, chegam em tempo real, na modernidade da comunicação virtual em "sites" ou pelo correio eletrônico,numa gostosa e prazerosa troca de e-mails, brindando-me com suas histórias ou satisfazendo a minha curiosidade sobre a Grande Los Angeles com seus 12 milhões de habitantes. E é de Los Angeles que o incomparável cronista trava um diálogo plural sobre a realidade da Lusalândia que construiu o "seu universo" consciente das metamorfoses do seu caminhar.


Dados Biobliográficos do autor:
Eduardo Mayone Dias nasceu em Lisboa. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa. Doutorou-se em Literatura Hispânica pela University of Southern Califórnia, Los Angeles (USC). Desenvolve a vida acadêmica em diferentes instituições e países. Começando na Universidade de Cambridge, Inglaterra, como Leitor de Português. Segue para o México onde foi Professor na Universidade Militar Latino-Americana e no Instituto Anglo-Mexicano. Em 1961chega nos Estados Unidos, sendo Professor assistente de Português no Defense Language Institute de Monterey, Califórnia e desde 1964 foi Professor da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) até se reformar. Sua vida não girou em função da vida acadêmica. No ensino e na investigação Mayone Dias foi inovador. Numa aracnídea teia envolveu a universidade e as comunidades portuguesas.
Produção Literária: Menéndez Pelayo e a Literatura Portuguesa, Coimbra, 1975;Portugal: Língua e Cultura, (co-autor), Los Angeles, 1978;Crónicas das Américas, Lisboa, 1981;Cantares de Além-Mar, Coimbra, 1982;Açorianos na Califórnia, Angra do Heroísmo, 1982;Coisas da Lusalândia, Lisboa, 1983;100 Anos de Poesia Portuguesa na Califórnia, (co-autor), Porto, 1986;Novas Crónicas das Américas, Cacilhas, 1986;Falares Emigreses, Lisboa, 1990;Brasil: Língua e Cultura, (co-autor), Newark, Delaware, 1992;Crónicas da Diáspora, Lisboa, 1992;Escritas de Além-Atlântico, Lisboa, 1993;Portugal: Língua e Cultura, nova versão, (co-autor), Newark, Delaware, 1995;O Meu Portugal Antigo e Distante, Rumford, RI, 1997;Miscelânea LU.S.A.landesa, Lisboa, 1997; Portugueses no Vietnan, 2000 co-autor).Presente em inúmeras publicações e possui várias centenas de artigos e crónicas sobre vários aspectos das literaturas e culturas hispânicas. Colabora em inúmeros jornais e revistas do Pís e do exterior,especialmente da Comunidade Portuguesa como os jornais Tribune Portuguese, (Califórnia) Portuguese Times (New Bedford), e a Revista ComunidasUSA.
Prêmios: Por sua sua obra e importante divulgação da língua e cultura portuguesa recebeu o grau de Comendador e Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a Medalha de valor e Mérito das Secretaria de Estado da Emigração, do governo de Portugal. Nos Estados Unidos foi alvo de várias homenagens e condecorações. No Brasil,é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina..