…ET OMNIA VANITAS
Não é da Índia ao cortejo magestoso,
Com o sopro dos ventos confundido,
Que o ‘spirito meu, livre, distrahido,
Um dia unir-se, irá, silencioso.
Nem à Ilha longínqua, misteriosa,
Dum outro ser na essência transformado;
Nem do Christo ao ideal tão sublimado –
– Essa estancia das almas luminosa!
A paz, a eterna paz tão desejada,
Não t’a dar… a força despertada,
Ao toque de fetiche aurifulgente;
E só a terás, alma decahida,
Na nevoa vaga, a nevoa indefinida,
Do Nirvana – o asylo transcendente!
António César Rodrigues
Sonetos,
Artes Gráficas, Ponta Delgada, 1920