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Eu me (te) digo – Adelaide Freitas

Eu me (te) digo – Adelaide Freitas

<p align="right"><b><i>AÇORIANIDADE - 66<br /></i></b>Poema selecionado e declamado por Olegário Paz</p> <p align="right">  </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/2f3/2f35851e9c56b7e5a189a5346ca7dced1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Eu me (te) digo

Declaro-me aqui filha da terra
por mundos repartida
New York   Coimbra   S. Miguel
permaneço plantada no Nordeste
na claridade da terra infinita

Ouço violinos ao vento
quando sulcos imemoriais
tomam o volume do mar e
inefáveis sussurram a infância de cada passo…

Na ausência da casa sem murmúrio de pais nem mães
edifico no quintal a minha morada

Gosto de mondar cavar semear
sentir rente à pele a brisa redonda e muda
o sibilante cheiro da terra
a doce comoção da luz e das cores
o roçar quente da folha do milho

Da criança reservo a espontaneidade
o orvalho suave do espírito
o fascínio das mil flores
e tudo o que não tem nome

Da adulta
a Escuta a Espera…
gosto das contradições
e nos pólos mantenho viva a chama de cada uma
a mulher e a menina

quero-as firmes

Assim de carne e de sangue
de alma e de paixão
em nada sobejadas   em nada subtraídas

Fazem parte do meu quintal
por onde me passeio
entre alvos malmequeres
magos brincos-de-princesa e
o rosa tenro da flor dos pessegueiros

No horizonte…
o risco tremido da hortênsia

Adelaide Freitas,
In Caminhos do Mar, Antologia Poética Açoriano-Catarinense,
Academia Catarinense de Letras, Florianópolis, 2005.

NOTA: Foto de http://mystery.bf-1.com/mystery-place/the-azores-top-10-unusual-island-territories