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Fátima Madruga- INTEMPORAL DE ALHURES (excertos)- (c/áudio) Olegário Paz

AÇORIANIDADE 202 <div> PorqueHojeEhSabado<br />2014.09.06<br /></div> <div><br /></div> <div><br /></div> <div> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/8a2/8a29f0064593b7c0ff5bd2ae232a984e1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /></div> <div><br /></div>

INTEMPORAL DE ALHURES (excertos)

Os fios de luz
que atravessam
a clarabóia do Porto
vêm de alumiar
o espesso casario lisboeta.
É um aguaceiro de sol
inundando o país,
de Alfama à Ribeira.

Portugal tem um «soslaivo»
de amor e perspicácia.
Lembra a história anónima,
só com o nome das coisas,
mas sem memória
do objectivo delas.

Meus amados pais,
que estais em todo o lado,
sei que também sois
pintores de «florinsectos»,
nas horas imortais.
E de baías, como
Angra da Liberdade
– não importa quando
– que a seja sempre!
Teceis, com fibras
longas e doutas,
a libertação do espírito,
intercalada por
farrapos de neblinas
e veios eléctricos,
os mais «sentíveis»: os invisíveis.

E a mudança
nos preceitos de pecados
e virtudes
que permanece impermanente?
O mesmo, numa
habitação pobre da
Fajã d’Além,
onde vive
o eremita analfabeto que,
todavia, escreve pegadas
no orvalho de S. Jorge.
Como no Corvo, de
resto, onde as casas
albergam uma
penúria afortunada e
a fechadura encerra
apenas o que é p’ra dar.

Mas o mundo não
acaba no infinito.
É lá que começa,
quando o vento cata
os cabelos da ilha preta,
à procura do tesouro esquecido –
o pensadoiro –
no entrecortar da
passarada, peixes
voadores e destinos.
Peregrinos.

A semente é tudo
o que sobra do começo,
no resumo fértil
da eternidade ingénua.

                 Fátima Madruga
                Inédito

Maria de Fátima Madruga Gomes (1955), pintora, gravadora, é natural da freguesia de Santa Luzia, ilha do Pico; reside e trabalha na vila de Palmela.