Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.

Felipe do Quental, “Esperança” – Organizado por Olegário Paz

Açorianidade – 342 - PorqueHojeEhSabado 2017.11.18 [Felipe do Quental, “Esperança”. Duo Anticiclone, "Saudade de S. Jorge”].

A ESPERANÇA

(Imitação do hespanhol.)

Doce Ilusão!… Bendita Esperança,
Do triste coração luz verdadeira!
A teu mago esplendor a mente alcança
Uma vida melhor, branda, fagueira.

Tu só és lenitivo aos soffrimentos,
Que o Supremos Senhor impoz à vida:
Sempre amiga appareces nos momentos
Em que a alma á dôr soccumbe amortecida.

Da infância esmaltas os risonhos dias:
Sorris á juventude amor, ternura:
E á trémula velhice os passos guias
Té no Creador sumir-ase a creatura.

Astro és na vida, lâmpada na morte;
Sempre ao coração nosso estás unida;
Sempre amiga fiel, constante, e forte;
Só te esvaeces quando foge a vida.

Do meu pobre existir, astro radiante,
As horas sempre escuras illuminas;
Não offusques teu brilho um só instante,
Oh! não me furtes tua luz divina!…

Felipe do Quental,
Ponta Delgada, Revista dos Açores, 1851.

Quental, Felipe do (1824-1892) médico, professor, poeta, mação, discípulo de António Feliciano de Castilho, natural de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, trabalhou na cidade natal e em Coimbra onde veio a falecer.