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Félix Horta, “As Horas” – Olegário Paz (c/áudio)

<p><br /><br />PorqueHojeHeSabado - 147 [2013.04.13]  </p> <p>Açorianidade - 147<b> </b>[Félix Horta, "As Horas". Madredeus (Carlos Paredes), "Mudar de Vida"]</p> <p> </p>


As Horas

 


Partiste logo pela madrugada

p’ra esse «pic-nic» onde eu não ia.

Só virás tarde… como é longo o dia

Quando se espera a noite desejada!

Parece que não finda a romaria

das horas que se levam de contada,

se a nós na solidão, penumbra, nada,

só as horas nos fazem companhia,

monótonas, iguais e compassadas,

gerando, a pouco e pouco, na noss’alma

sombras crescentes, sombras transformadas

em dúvidas, ciúmes, loucamente…

Volta de-pressa, amor, beija-me calma

e fica ao pé de mim eternamente.

 

 

Félix Horta,
Livro d’horas,
Lisboa, Bertrand, 1938

Félix Borges de Medeiros Horta (1890-1961), natural da cidade de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, diplomata, poeta, trabalhou em China, Brasil, ex-Congo Belga e Inglaterra, tendo falecido em Lisboa.