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Félix Rodrigues, “A poesia é imortal” – (c/áudio) Olegário Paz

Félix Rodrigues, “A poesia é imortal” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade - 187 [Félix Rodrigues, "A poesia é imortal". Geoge Winston, "Peace"].<br /><br />PorqueHojeEhSabado<br />2014.03.22

A poesia é imortal
 

A poesia não é um jogo de palavras,
Mas combina as palavras com os sentimentos.
Não sabendo como, jogamo-las.

Sinto as palavras partindo:
Não sei de onde nem para onde,
Não sei de quem, nem para quem.
Vejo-as apanhadas por alguém.

Sinto-as cuidadas, enclausuradas,
Ou talvez perdidas,
Nas emaranhadas células da razão.
Perdidas estarão,
Mas não no coração.

Viajam largadas numa trajetória incerta,
Rumando a um clone da mesma afeição,
Como numa aproximação tautocrónica,
Situada entre a física e a heresia.

A isso poder-se-á chamar Poesia?
Talvez!
Depende da crença ou sensatez.
Se acreditarmos na memória da água que nos compõe,
Ou no orgânico que nos putrefaz.

Se o eterno não fosse um conceito,
E a memória uma justificação,
Talvez pudéssemos tocar Deus pelo sentido das palavras:
Lançávamos pensamentos nas palavras,
Imprimíamo-las no efémero, menos passageiro do que nós,
Na esperança de se tornarem perpétuas com Ele,
E assim,
Tornar-nos-íamos imortais,
Porque lançávamos as palavras certas,
Que saltariam de instante para instante,
Até aos fins dos tempos.

Angra do Heroísmo, Agosto de 2013.
Félix Rodrigues

António Félix Flores Rodrigues (1962) professor, investigador, natural da vila de São Sebastião, ilha Terceira, reside e trabalha na cidade de Angra do Heroísmo.
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