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[Frances Dabney, “O tremoceiro” (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade – 262 [Frances Dabney, “O tremoceiro”. Mantovani, “The big country”].

PorqueHojeEhSabado 2015.12.26


[O
tremoceiro, todo dia, tem]

O TREMOCEIRO, todo o dia, tem


 

as suas mãos meninas voltadas ao
sol. E, quando a noite chega, junta-
as em oração, e chora. 

Chora o tremoceiro porque se lembra
do seu pecado. Em tempos idos, era o
mundo ainda jovem, a Mãe, tomando
um burrito manso, fugiu com o
menino através dos campos de
tremoço. Então, as vagens secas
puseram-se em grande algazarra, em
vez de se terem mantido em silêncio. 

E eis porque a semente do tremoço é
amarga como fel; daí lhe vem a
maldição; e, por essa mesma razão,
chora toda a noite, até que o dia lhe
traz o perdão quando, com um beijo,
lhe enxuga as lágrimas.

Frances Dabney,
Saudades (trad. de José F. Costa), Opera Omnia, Guimarães, 2014.
        



Dabney, Frances Susan (1856-1918), poeta, natural da cidade da Horta, aos 18 anos radicou-se na cidade de Boston, Estados Unidos da América onde viveu e veio a falecer.