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Humberto Bettencourt, “Vilancete” (c/áudio) OlegárioPaz

Açorianidade – 273 PorqueHojeEhSabado 2016.03.12 [Humberto Bettencourt, “Vilancete”. Tuna da Universidade de Granada, “Suspiros”].




Vilancete

Conquanto, Senhora, fosse
Bem longe de vós sumido,
Não vos largou meu sentido.

Voltas

Por nesta vida mesquinha
Não ter vida em doce estado,
Fui de vós mais apartado,
Quando mais perto vos tinha!
Mas conquanto a sorte minha
Me levasse a mim perdido,
Não se perdeu meu sentido!

Entre as penas que sofria,
Tamanhas, de tal viagem,
Essa vossa linda imagem
A todo o momento via:
E assim se foi, dia a dia,
Gastando o tempo comprido,
Sem gastar o meu sentido!

Se gemia a toda a hora,
Não era que vos não visse,
Mas por temer que caísse
Do vosso agrado, Senhora:
Pois, tão longe e, muito embora,
Da vossa vista sumido,
Nunca a largou meu sentido!

Humberto Bettencourt,
in A ilha nova e outras rimas esparsas, Lisboa, Inst. Cult. de Ponta Delgada, 1955.
Bettencourt, Humberto de Medeiros e Câmara (1875-1963) advogado, professor, jornalista, natural de Ponta Delgada, cofundador do Instituto Cultural dessa cidade onde trabalhou e veio a falecer.