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I – Onésimo Teotónio Almeida e o meu boné irlandês por
José do Carmo Francisco

I – Onésimo Teotónio Almeida e o meu boné irlandês por José do Carmo Francisco

Duas crônicas de José do Carmo Francisco sobre o lançamento do livro Mínima Açorica de Onésimo Teotónio Almeida no último dia 6 de Fevereiro na Casa dos Açores de Lisboa.A apresentação esteve a cargo do ilustre  Dr.Laborinho Lúcio.

Onésimo Teotónio Almeida e o meu boné irlandês

O Onésimo não sabe mas vai ficar a saber: já é a segunda vez que perco o meu boné irlandês em lançamentos de livros seus. A primeira vez foi na FLAD quando se apresentou «O peso do hífen» e uma senhora perguntou a Eduardo Lourenço se o boné era dele tendo o professor respondido com honestidade: «É bonito mas não é meu!». Desta vez o caso do boné foi na Casa dos Açores na Rua dos Navegantes e o livro apresentado por Laborinho Lúcio tem por título «Minima Azorica» e como subtítulo «O meu mundo é deste reino». Pedi ao Onésimo uma dedicatória para Anabela Almeida, uma ausente/ presente (pelo Armando Côrtes- Rodrigues) e outra dedicatória para a minha filha Ana em Londres. E foi ela que me ofereceu o boné de pura lã com a palavra «Ireland». O Carlos Alberto Machado da Editora Companhia das Ilhas também me falou da Ana e do seu livro de contos «Personagens para um lugar memorável». Mas saí da Casa dos Açores a correr para apanhar dois autocarros e foi talvez nesse momento que perdi o meu boné irlandês. Tão a correr que nem deu tempo a falar com o autor sobre o que pode ser uma gralha na página 157: lá aparece «Vamfredo» quando julgo ser bem «Vamberto» Freitas. Escrevo «julgo» pois certezas tenho cada vez menos na vida. Cá estou então a escrever sobre o meu boné irlandês perdido na Casa dos Açores. Vou telefonar à Eduardina Rocha para lhe pedir ajuda. Ontem à noite não pude ficar para provar a sua famosa sopa de baleia. No frio da noite a sopa de baleia é um conforto para o estômago. A palestra de Laborinho Lúcio foi uma poderosa revelação; só o conhecia como jurista e ministro mas falou como um antropólogo que conhece os Açores melhor que muitos dos seus naturais. Apetece-me dizer como na minha terra que não é longe da Nazaré: «Assim é que se enxofra!»

José do Carmo Francisco