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Ilha dos Amores, por Gervásio Lima (Som)

Ilha dos Amores, por Gervásio Lima (Som)

AÇORIANIDADE 313 PorqueHojeEhSabado 2017.02.18

De manso a beija
O rubro sol
Do berço de oiro
Do arrebol.
Era dos mares
A desejada,
A linda terra
Enamorada.
Ilha de Vénus,
É nos Açores,
Ilha divina,
Ilha de amores.

Rompe o mar em duras fráguas,
Sob o céu de puro anil:
Num vergel à flor das águas,
Qual jardim em pleno abril.

São os píncaros, as cristas,
Da grande ilha encantada;
São paisagens, são as vistas
Da Terceira enamorada.

Mui branquinhas nas folhagens
Vão aldeias e casais,
Fulge a ermida entre ramagens
Como a flor nos laranjais.

Cristalinas, puras fontes,
Correm frescas pelos prados;
De esmeralda são os montes
Onde pastam mansos gados.

Sobre as rochas pairam asas,
Entre as folhas tremem ninhos;
São pombais as brancas casas
Rescendendo a rosmaninhos.

Nos rochedos, nas areias,
Geme a vaga a soluçar;
É o côro das sereias
P’los que morrem lá no mar.

Gervásio Lima,
in Tomás Borba, O canto coral nas escolas,
Lisboa, editor – Valentim de Carvalho, 1916.

Lima, Gervásio da Silva (1876-1945) jornalista, escritor, poeta, técnico de biblioteca, natural de Praia da Vitória, ilha Terceira, trabalhou e residiu na cidade natal e em Angra do Heroísmo.