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– Insularidade de Luísa Soares – Olegário Paz

<p>Açorianidade - 094 [Luísa Soares, "Insularidade". Debussy, "Dança Profana"]</p> <p> </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/3f1/3f16da01e8ea2480023b6de9473fc1361.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

- Insularidade de Luísa Soares - Olegário Paz

1

de súbito
impressentidas paisagens
furam
o esparso e cinzento
nevoeiro

suavemente
a âncora do tempo
desliza
como fofa poltrona
que em pachorra e bocejo
se afunde

baços são então os dias
na ilha
baça é a vida
baças as horas
medidas em pasmo e basalto

2

emaranhado enrolar de
emaranhado mar
o vento à solta
e o baixo céu
o embaciado tempo

 
invisível resfolgar
de animal antigo
agita
as vivas entranhas
das águas
insofridas aves marinhas
rodopiam em desvario e
memória suspensa
de espuma 
e rocha

mas é na recôndita voz
dos búzios
que se albergam
os remotos labirintos
da distância

 

3

neste esporádico parênteses
deste tempo manso
manso e liquefeito
desagua
a vertical bonança transparente
e as árvores
livres estátuas do tempo
sustentam nos ombros
o esfarrapado das nuvens
a doida alegria dos pássaros
                     [entontecidos

Maria Luísa Soares
 (Janeiro, 95)
Inédito

Maria Luísa Soares (1940), professora, romancista, poeta, é natural da freguesia de Santo António, ilha de S. Jorge, e reside em Lisboa.

Quadro  de Auguste Renoir; http://www.topofart.com/images/artists/Pierre-Auguste_Renoir/paintings/renoir007.jpg