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J. Agostinho Serpa, “Quimeras” – (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade - 249 [J. Agostinho Serpa, "Quimeras"_Madredeus e Banda Cósmica, "Vou (Largar o Navio"]

QUIMERAS

O sol ao nascer
quer dar-me a fantasia
das cores mais belas
em meu leito desfeito
há restos de orgia
d’insónia e desejo.

Então só a lua
que entende meu pensar
vem fazer-me companhia
e mesmo ausente
vejo em sua luz dolente
um clarão de magia.

Acordo com a lua
que vem dar-me a calma
duma luz que não aquece
fecho os olhos
sinto ferver-me a alma
e mais um sonho começa.

Há sonhos de amor
e ilusões em espuma desfeitos
quimeras em cinzas
que sobram de mil desejos.

J. Agostinho Serpa
(inédito)


Serpa, José Agostinho (1963), luthier (violeiro), natural de Aldeia da Costa, freguesia Lajedo, ilha das Flores, onde reside e trabalha.