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João Aranda e Silva, “Sonhos do mar” – (c/áudio) Olegário Paz

João Aranda e Silva, “Sonhos do mar” – (c/áudio) Olegário Paz

<br />AÇORIANIDADE -178 <div><i>PorqueHojeEhSabado</i> 2013.01.18 <br /><br /></div>

(Claude Monet, 1840-1926)


Açorianidade – 178 [João Aranda e Silva, “Sonhos do mar”. Misty, “Fly me to the moon”].



Sonhos do Mar  

O meu sonho atravessa o ma
 
ate ao finito horizonte

onde o clepsidra jaz monótono
  
arrastando sonhos

a cada volta das velas enfunadas

sem que o mítico nevoeiro

nos apazigúe a melancolia

com que a ilha nos envolve.

Ouço o barulhar das ondas

e da areia,

embaladas por estranhos desejos

que vogam silenciosamente

ao encontro de pássaros reluzentes

que debitam proféticas notícias

de mundos distantes.

A ilha parece cada vez mais pequena

(só cresce quando a maré baixa)

tamanho pouco para a aventura,

e nem a fragrância das chuvas

acalma os deuses oníricos

que me povoam os olhos.

Só os cavernames

me podem levar a ver

a cor dos teus lábios

o  feitio das ruas

o  borbulhar das vidas,

errantes umas, felizes outras,

do mundo que em mim albergo

na distância de varias luas.

João Aranda e Silva,
Palavras das Horas Mortas,
[Angra do Heroísmo], Edição do Autor, 2009.

João Aranda e Silva (1957), jornalista, escritor, investigador, natural de Luanda, açoriano de afeição, reside e trabalha na cidade de Angra do Heroísmo, ilha Terceira.