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José Álvaro Afonso, “Quebra-Mar” – (c/áudio) Olegário Paz

José Álvaro Afonso, “Quebra-Mar” – (c/áudio) Olegário Paz

<div><b>Açorianidade - 190</b> [José Álvaro Afonso, "Quebra-Mar". Luís de Freitas Branco, "Scherzo Fantastique].<br /><i>PorqueHojeEhSabado</i> 2014.04.12  <br /></div> <div><br /></div>

Paul Klee (1879-1940)

QUEBRA-MAR 

Adormecer-me de químicos
Despedir a agitação a inquietação
Ir e vir do tempo por findar
Ouvir um ruído que seriam ondas
Se as ondas não voltassem

Não me ensurdecem Ouço os carros
Que sujam a noite O calor
E anseio pelo Inverno Antes
O frio o frio os livros próximos
A noite berço regaço colo

Amo-te até ao pescoço noite
Que me devoras a cabeça e despejas
O sal das feridas e calas-me
E ensurdeces-me. Deixas-me
Um barco um barco e a tempestade

Doerem-me os pés de te esperar
Doerem-me os pés de te encontrar

José Álvaro Afonso,
Entre passos sobrevivem eras,
Angra do Heroísmo, ed. do autor, 2006.

José Álvaro Afonso (1964), é natural da cidade de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, onde trabalha e reside.