Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.

José de Lacerda, “Sons”- Olegário Paz (c/áudio)

<b>Açorianidade - 143 </b>[José de Lacerda, "Sons". Francisco de Lacerda, "Pantomina"]<br /><i><br />PorqueHojeEhSabado<br /></i>2013.03.16  <p><br /><br /><b><img src="http://img.rtp.pt/icm//thumb/phpThumb.php?src=/images/35/35e61d56544b16bdc4aa54b1011dee65&w=420&sx=0&sy=0&sw=501&sh=344&q=75" /></b></p> <p>(Paul Klee 1879-1940 - <em>Abstract Trio)</em></p> <p> </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/824/824159b12f25e835b4747fbe976970e91.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

“Sons”

 

A música das águas
é um vago murmúrio doloroso,
um moribundo côro religioso
d’ indescriptíveis maguas. 

Nas cavernas escuras
As lágrimas das rochas, como a medo,
Gemem, cahindo, o intimo segredo
d’extranhas amarguras. 

Nos areais, o mar
Entoa um longo psalmo, mansamente,
E, n’um dorido acento comovente,
Parece soluçar. 

A brisa mais suave,
Ao passar pela rama dos pinheiros,
Lembra convulsos adejos derradeiros
Do morrer d’uma ave. 

E creio, com pavor,
Que as estrellas, na orbita girando,
Soffrem tambem e, tristes, vão cantando
Um poema de dôr!

 

José de Lacerda,
Flor de Pântano,
Lisboa, Editor M. Gomes, 1891

José Caetano de Sousa Pereira de Lacerda (1861-1911), psiquiatra, ensaísta, poeta, nascido na freguesia de Ribeira Seca, ilha de S. Jorge, viveu e trabalhou em Lisboa, vindo a falecer na freguesia de Estoril, Oeiras.