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José Raposo, “Cais da solidão”

José Raposo, “Cais da solidão”

Açorianidade – 364 PorqueHojeEhSabado 2018.04.21 [José Raposo, “Cais da solidão”. Duo Anticiclone, “Manjaricão”]. Organizado por Olegário Paz.


Cais da solidão

Com o azul do mar


escrevi na branca espuma

palavras de sonho.

Pensamentos absortos…

Tripulantes de uma barca sem leme,

onde navega o vazio da bagagem da saudade.

Agulha louca de uma bússola desnorteada.

Azimute perdido de rotas imaginárias

em cartas não existentes.

Na esperança que uma mão amiga

as viesse arrebatar ao suplício das vagas…

Essas palavras que atirei ao mar


chegaram a esse cais (des)governado pela solidão,

transformadas em murmúrios e poemas.

José M. Raposo,
in Despi a alma no cais da solidão,
Mill Valley, Califórnia, E. U.A., Yellow Publications, 2002.

Raposo, José Manuel Vicente Jorge, (1950), empresário, ativista cultural, natural da freguesia de Candelária, ilha de S. Miguel, reside na cidade de Novato, Califórnia, E. U. A.