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Leocádia Regalo, “Esses Ares” –  Olegário Paz (som)

Leocádia Regalo, “Esses Ares” – Olegário Paz (som)

<b>Açorianidade - 127</b> [Leocádia Regalo, "Esses Ares". Bartolomeu Dutra, "Saudade de S. Jorge"]<br /><br /><i>PorqueHojeEhSabado <br /></i>2012.11.24<br /><br /><br /><br />

ESSES ARES

É sempre a araçá
e a figos lampos
que sabem as lembranças
desses dias
de promessas e segredos confiados
à sombra da latada
lá na ilha.

E não sei já
se foste tu ou eu
– incerta das coisas que
procuro – quem prometeu
guardar a luz etérea
das hortênsias em cachos nos caminhos
absorver o viço puro e fresco
das frondosas criptomérias perfiladas,
calar no peito a lenta combustão
das vulcânicas ânsias da partida.

O certo é que a distância
me fez ver
mais clara a cal das fachadas
nas casas transparentes onde cheira
a mesa farta de dádiva e alegria.

Ao longe
fico mais perto desses ares
que se vão impregnando dia a dia
nesta espera do regresso apetecido
às coisas simples
e sinceras
da ilha.

Leocádia Regalo,
Tons do Sul, Viseu, Palimage, 2011.

Maria Leocádia Regalo (1950) professora, poeta, natural da freguesia de Norte Pequeno, ilha de São Jorge, reside e trabalha em Coimbra.

Imagem de http://www.flickr.com/photos/13978985@N05/5155461996/in/photostream