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Lima Araújo, “Primavera arisca” – (c/áudio) Olegário Paz

Lima Araújo, “Primavera arisca” – (c/áudio) Olegário Paz

<b>Açorianidade - 229</b> [ Lima Araújo, "Primavera arisca". Norberto Macedo, "D. Quixote e Rocinante"]. <div><br /></div> <div><br /><br /> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/c10/c101031c1beb298257c10b3ac1b1bf981.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object> <br /> <div><br /></div> <div><br /></div> </div>

Henri-Edmond Cross (1856-1910)




PRIMAVERA ARISCA

PARECE que neste mundo
Tudo perdeu o juízo;
Tem-nos dado a Primavera,
Em vez de rosas, granizo.

Bem podia andar o vento
A cantar árias nas matas,
Mas achou mais engraçado
Dar-nos cabo das batatas.

Mesmo o sol é mentiroso,
E, quem se fia em tal anjo…
Vem logo a chuvinha e diz-lhe:
Espera, que eu já te arranjo!…

Tem a lua duas caras,
Uma cheia, outra vazia…
E nós temos por desgraça,
As quatro estações num dia.

T’rita-se de frio agora,
Logo se fica a suar…
Anda tudo infelizmente
Com as pernas para o ar.

Lima Araújo,
Folhas que o vento levou,
Gráfica Regional, Ponta Delgada, 1957.

Araújo, António de Lima (1886-1970), poeta popular dado à sátira, conhecido por Alá, articulista, natural da cidade de Ponta Delgada onde trabalhou, residiu e faleceu.