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Manuel António Lino, “Parti Cedo”- (c/áudio) Olegário Paz

Açorianidade - 164 [Manuel António Lino, "Parti Cedo". Madredeus, "Ilusões-Sentimento"].<br /><br /><br />

II
[Parti cedo, em busca da ventura] 

Parti cedo, em busca da ventura;
Anciava conquistar a bela fada
Seductora, que vive recatada,
No palácio do Sonho, a grande altura.

Meti-me por estrada mal segura,
Morava longe a minha doce amada;
Branquearam-me os cabelos na jornada,
A vida consumi, nessa aventura.

De muito caminhar, por fim, cansado,
Sem nunca conseguir minha ambição,
No sólo me abati, a soluçar.

E, p’r’ali me quedei, desalentado,
Mirando, com tristeza, a floração
Dos frios edelweisse do pesar.

Manuel António Lino,
Edelweisse,
Angra do Heroísmo, Tipografia Insulana Editora, 1925

Manuel António Lino (1865-1927), médico, poeta, dramaturgo, nascido em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, aí residiu, trabalhou e faleceu.