Este conteúdo fez parte do "Blogue Comunidades", que se encontra descontinuado. A publicação é da responsabilidade dos seus autores.
Manuel de Arriaga:Liberdade (Áudio) Olegário Paz

Manuel de Arriaga:Liberdade (Áudio) Olegário Paz

AÇORIANIDADE 235 PorqueHojeEhSabado 2015.04.25



A LIBERDADE

Oh! Luz que vens surgindo! Santa Aurora

De Justiça e d’amor, que já nesta hora

Inda vens n’alvorada,

E és como Deus e o Sol, que alegram tudo!

A ti levanto as mãos, e eu te saudo

Da sombra do meu nada.

[…]

Não valem contra ti nem fogo nem ferro,

O duro exilio, as maguas do desterro,

E as sombras da cadeia;

Para todos ficou por demonstrado,

Que dos sangues dos bravos derramado

Surgiu a tua ideia!

Não há sombra, por mais caliginosa,

Que a acção da luz brilhante e vigorosa

Não rompa e não desfaça:

Nem muralhas, que opponham resistencia

Ao mar, que é livre, ao mar, cuja potencia,

Embate, ruge e passa.

Era mais fácil ver, nesse horisonte,

O sol nascente declinar a fronte

Ante a noite sombria,

Do que hoje vêr a luz da tua aurora,

Ante a face da Europa pensadora,

Ceder à tyrannia.

Ninguém resiste ao teu poder divino!

E a marcha, que já leva o teu destino,

A confessar me incita,

Que embora sobrevenham mil azares

Hasde tomar assento em nossos lares,

Oh divina! proscripta!

E tu, que nos annais de tantas glorias,

Nos sorris como a Deusa das victorias,

Ah! sê, sê tu bem vinda,

Para enfim estalar no mundo inteiro

Os ultimos grilhões do captiveiro,

Que nos opprime ainda!

Manuel d’Arriaga, in Miscellania litterária, BNP, Lisboa, (s/d).


Peyrelongue, Manuel José de Arriaga Brum da Silveira (1840-1917), advogado, professor, escritor, 1º Presidente da República Portuguesa. Natural da cidade da Horta, ilha do Faial, residiu e trabalhou em Lisboa onde faleceu.