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Manuel Henrique Dias, “Andar à moda” – Dito por Olegário Paz (som)

<p><b>Açorianidade- 140 </b>[Manuel Henrique Dias, "Andar à moda". Boocherini, "Minuetto"]<b><br /></b><br />PorqueHojeEhSabado<br />2013.02.23</p> <p> </p> <p> </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/6af/6af8a243d6240946d01c669acf2f1ef11.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Manuel Henrique Dias, "Andar à moda" - Dito por Olegário Paz (som)
Bal du moulin de la Galette (1876)
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)

ANDAR À MODA

Eu tive um tempo que sonhei co’a gloria,
Tive ainda um outro que vivi d’amor,
Depois, mais tarde – se me lembro bem…
Fui desgraçado e chorei de dôr!…

A glória?! – Historias! Uma cousa velha
– Ou talvez antes um phantasma vão! –
É bem verdade que eu sonhei com ella,
Mas é bem certo que era tolo então!

Hoje, a glória quereis saber qual é?
– É mover bem da fortuna a roda,
– Que a outra gloria dos antigos tempos,
É traste velho, que passou da moda.

Vêdes um typo rechonchudo, parvo,
Co’uma comenda? – Já pertence á historia!
Nem sabe ler; foi talvez negreiro;
Mas tem uns contos: – Eis aqui a gloria!…

O amor?! – Outra cousa velha,
Que, hoje, ninguém sabe que feitio tem!…
Como a gloria dos antigos tempos,
O pobresinho se finda também!…

Foi forte outr’ora, nos diz hoje a historia,
E teve imperio sobre o mundo inteiro;
Mas hoje – coitado! – esmagou-o a moda,
Metendo-o em guerra com el-rei – Dinheiro.

E hoje o amor, que por mil poetas
Milhões de vezes foi cantado já,
É como um traste que se põe em praça
– Possue-o sempre quem mais ouro dá… 

Á vista d’isto, vou sonhar com ouro,
Entoar hymnos da fortuna à roda,
Pôr a gloria e o amor de parte…
E escrever d’isto – para andar á moda

 

Manuel Henrique Dias, Harpejos,
Lisboa, Tip. Eduardo Roza, 1889.

Manuel Henrique Dias (1867-1902), jornalista, poeta, natural da freguesia  de Cais, ilha do Pico, aí trabalhou, residiu e faleceu.