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Manuel Inácio de Sousa, “Ode Anacreôntica”. Dito por Olegário Paz (c/áudio)

<p><b>Açorianidade - 144 </b>[Manuel Inácio de Sousa, "Ode Anacreôntica". Mozart, "Don Giovanni"]<br /><i><br />PorqueHojeEhSabado<br /></i>2013.03.23</p> <p> </p> <p> </p> <object height="20" width="500" data="http://www.rtp.pt/script/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/a3c/a3c8d00ce5d136905a1c7b21494fbf341.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://www.rtp.pt/script/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

Manuel Inácio de Sousa, "Ode Anacreôntica".  Dito por  Olegário Paz (c/áudio)
(Henri-Edmond Cross, 1856-1910)
‘Garden’ – Watercolor on paper

Ode Anacreôntica

 

Descansemos, Anarda, neste sítio
Que a bela Natureza fabricou
Para amantes ditosos descansarem;

        Aqui entre estes lírios,
        C’os peitos inflamados,

Gozaremos do campo esta frescura.
Vê como deste trémulo regato
Vão as águas aos olhos fugitivas
Cortando a verde relva destes prados,

        Fazendo nos seus giros
        Matiz tão agradável

Que parece cristal entre esmeraldas.
No ar que aqui nos cerca se derrama
O suave perfume de mil flores
Que dentre a branda relva estão brotando;

        Junto das águas nasce
        A cândida Açucena,

O suave Jacinto, a pura Rosa.
Vê como dos Amores, uns, pendentes
Pelos ramos das árvores frondosas,
Derramam sobre nós nuvens de flores;

        Outros aqui mais perto,
        Batendo as leves asas,

Mais acendem o fogo em nossos peitos.
Não ouves a sonora melodia
Dumas vozes que ao longe vão soando?
São as Ninfas formosas deste bosque,

        Que ao som de doces hinos,
        De lírios e de mirto

Nos fabricam grinaldas para a fronte.
Oh, quanto feliz sou quando contigo
Gozo tanta frescura deleitosa!
Mas quanto mais feliz e venturoso

        Se o meu triste rival
       Ouvisse esses suspiros

Com que premeias meu ardente amor!

 

Manuel Inácio de Sousa,
In: Francisco Topa,
Poesias dispersas de M. Inácio de Sousa, Porto, Ed. do Autor, 2001.

Manuel Inácio de Sousa (1739-1801) advogado, comerciante, poeta, natural da cidade da Horta, ilha do Faial, onde viveu, trabalhou e faleceu.