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Marta Mesquita, “Relembrando”-(c/áudio) Olegário Paz

Marta Mesquita, “Relembrando”-(c/áudio) Olegário Paz

<b><br /> </b> <div><b> <b><i>PorqueHojeEhSabado</i></b><b>2014.11.01</b></b></div> <div><b><br /></b> <div><b><br /></b></div> <div><b> Açorianidade - 210 </b>[Marta Mesquita, "Relembrando". Dire Straits; Mark Knopfler, "Going Home"]<br /><br /><br /><b> </b></div> </div> <object height="20" width="500" data="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"> <param name="id" value="player" /> <param name="name" value="player" /> <param name="flashvars" value="file=/mcm/mp3/368/368252b2ba98198f184129e04d2af3bf1.mp3&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&tracecall=printTrace&" /> <param name="src" value="http://programas.rtp.pt/swfjs/player/player.swf" /> <param name="wmode" value="opaque" /> <param name="allowfullscreen" value="true" /> <param name="quality" value="high" /> </object>

(Salvador Dalí  1904-1989)

RELEMBRANDO

Às vezes, quando a gente está bem só,
Acordam num recanto da memória
Velhas datas da nossa própria história,
Como esqueletos a surdir do pó.

Muitas delas são lágrimas de dó,
Obscuras, tristes, duma pena inglória,
Mais outras são prazer, mais outras glória,
Que o tempo triturou na sua mó.

E o nosso olhar absorto, mergulhado
Na miragem distante do passado,
Vai longe na romagem comovida,

E a gente, concentrada a meditar,
Alheia e triste, queda-se a velar
O cadáver da nossa própria vida!…

Martha de Mesquita,
Pó do teu caminho,
Seara Nova, Lisboa, 1926.
Marta Mesquita da Câmara (1895-1980), jornalista, escritora, poeta, de pais terceirenses, nasceu, residiu e trabalhou na cidade do Porto e aí faleceu.