SONETO XII
FELIZ, feliz do tempo, em que eu vivia
Na doce pátria minha repousado,
E, aos pés da bela Armia, extasiado,
Via a aurora nascer, fugir o dia.
Feliz, feliz do tempo, em que eu sentia
O brando efluvio de seu peito, amado:
Que, de suas caricias afagado,
N ‘um ceo de amores respirar me via.
Hoje (triste de mim!) cruzando os mares,
Sem pátria, sem Armia, insigne amante,
Tudo são penas, tudo são pezares.
Viver não posso de seus dons distante:
Por mais que me distraia, vão aos ares
Meus suspiros, meus ais, de instante a instante.
Poesias Lyricas – Colleção Primeira,
Angra do Heroísmo, 1834.